PALAVRAS QUE SANGRAM
de Fábio Fabrício Fabretti
Os textos aqui presentes possuem direitos autorais.








Quinta-feira, Junho 19, 2008



HISTÓRIAS DE AMOR

Ao menos o último filho da puta da sua vida
serviu para ela esquecer o outro filho da puta,
que a ajudou a não recordar mais do filho da puta anterior,
que a livrou das lembranças do primeiro filho da puta,
que a fez descobrir que ela era uma filha da puta.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 12:06 AM
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Quinta-feira, Abril 24, 2008



Olhou para o açougueiro
e pediu em silêncio:
quero um coração inteiro.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 1:33 AM
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Segunda-feira, Março 24, 2008



OS DIÁLOGOS QUE SÓ NÓS OUVIMOS

- Você me ama de verdade?
- Claro que sim.
- Então ligue para a funerária.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 12:48 AM
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Sexta-feira, Março 21, 2008



URBANIDADES

Para o policial que se confrontava com o bandido,
todos os tiros erraram.
Para a mulher que se confrontava com a filha morta,
todos os tiros acertararam.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 1:57 AM
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Quinta-feira, Março 20, 2008



Adorava quando a vida sorria para ele.
Mesmo que ela já estivesse meio banguela.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 3:05 PM
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Sexta-feira, Março 14, 2008



AS COISAS QUE DIZEMOS AO VENTO

- Você não chora nunca?
- Só quando todos dormem.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 2:22 AM
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Quarta-feira, Março 12, 2008



O PORRE

É um porre a hora do porre,
mas tem coisa que só um porre pode,
porque a vida é um porre.
O porre é uma osmose.
Tudo o que é bom dá porre.
O amor não é um porre, é uma porrada.
O sexo é um porre que escorre.
As pessoas que podem são porres,
e as que não podem também porrem.
O beijo é um porre que cospe.
Sempre o porre que nos acode.
Não me socorre, diz o samba, que eu tô de porre.
Porre que é porre não dá bode.
Que porre, porra!

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 1:54 AM
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Segunda-feira, Março 10, 2008



FINS - I

Depois que todos os convidados partiram,
olhou para o espelho que a olhava com pena.
Suspirou como quem desaprisiona o mundo.
Recolheu as taças, ajeitou as almofadas, apagou as luzes
e começou a festa.

FINS - II

Deitado sozinho na cama de solteiro do quarto de hotel para casal,
descobriu um ponto negro do pequeno buraco dependurado no teto,
onde residiam insetos quaisquer que espreitavam seu sono.
Naquela mesma noite pagou a diária, fez suas malas
e se mudou para lá.

FINS - III

Pela janela do vagão, a linha do trem parecia não ter fim,
cortando a cidade de um extremo ao outro.
Por isso, na próxima parada, ele desceu,
prostou-se no meio dos trilhos, de braços rendidos,
e esperou que a locomotiva o levasse.

- Fábio Fabrício Fabretti -

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 2:56 PM
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Terça-feira, Janeiro 29, 2008



Noites felizes.
Manhãs tristes.
Tardes no divã.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 5:32 AM
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Segunda-feira, Dezembro 31, 2007



QUANDO AUTOR E PERSONAGEM SE CONFLITAM

- Não há herói sem tragédia - explicou um.
- Nem tragédia sem herói - completou outro.
E ambos morreram no final.

- Fábio Fabrício Fabretti -

† postado por F. - 8:07 AM
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O autor


Fábio Fabrício Fabretti
Escritor
Rio de Janeiro

Há palavras em nós. Palavras vivas e palavras mortas. Palavras pulsantes e inertes. Palavras que brotam ou minguam. Palavras que vão e que ficam. Ou palavras que por vezes sangram... sem estancar.

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